O Gato e o Rato em Companhia

Um gato e um rato compartilham um lar, mas o gato trai a confiança do rato em busca de comida. A amizade deles é testada pela ganância.
Ver resumo
  • Um gato e um rato se tornam amigos e decidem morar juntos.
  • O gato engana o rato para comer gordura guardada.
  • A confiança entre eles é abalada por mentiras e traições.

Um conto de fadas dos Irmãos Grimm

Um gato travara conhecimento com um rato e tanto lhe falara do grande amor e da amizade que lhe dedicava que, por fim, o rato concordou em morar com ele numa mesma casa e levar uma vida em comum.

— Mas precisamos tomar providências para o inverno, senão passaremos fome — disse o gato. — Tu, ratinho, não podes te aventurar por toda parte; no fim, ainda acabarás preso numa armadilha.

O bom conselho foi então seguido, e compraram um potinho de gordura.

Mas não sabiam onde deveriam guardá-lo. Por fim, depois de longa reflexão, disse o gato:

— Não conheço lugar onde ele esteja mais bem guardado do que a igreja. Lá ninguém ousa tirar coisa alguma. Vamos pô-lo debaixo do altar e não tocaremos nele antes que seja necessário.

Assim, o potinho foi levado para um lugar seguro.

Mas não se passou muito tempo até que o gato sentisse desejo de prová-lo. Então disse ao rato:

— Havia uma coisa que eu queria te dizer, ratinho. Minha prima me chamou para ser padrinho. Ela deu à luz um filhote, branco com manchas marrons, e eu devo segurá-lo durante o batismo. Deixa-me sair hoje e cuida tu sozinho da casa.

— Sim, sim — respondeu o rato. — Vai em nome de Deus! E, se comeres alguma coisa boa, lembra-te de mim. Eu também beberia de bom grado uma gotinha daquele doce vinho tinto de festa.

Mas tudo aquilo era mentira.

O gato não tinha prima alguma e não fora chamado para ser padrinho. Foi direto à igreja, esgueirou-se até o potinho de gordura e lambeu a camada de cima.

Depois deu um passeio pelos telhados da cidade, estirou-se ao sol e alisou os bigodes todas as vezes que pensava no potinho de gordura.

Só quando já era noite voltou para casa.

— Então estás de volta! — disse o rato. — Com certeza tiveste um dia alegre.

— Foi razoável — respondeu o gato.

— E que nome deram à criança? — perguntou o rato.

— Pele-fora — disse o gato, muito seco.

— Pele-fora! — exclamou o rato. — Mas que nome estranho! É comum na tua família?

— E que há de mais nisso? — disse o gato. — Não é pior do que Rouba-migalhas, como se chamam os teus afilhados.

Não muito tempo depois, o desejo tornou a tomar conta do gato.

Ele disse ao rato:

— Precisas fazer-me o favor de cuidar mais uma vez da casa sozinho. Fui chamado pela segunda vez para ser padrinho e, como a criança tem um anel branco em volta do pescoço, não posso recusar.

O bom rato consentiu.

O gato, porém, esgueirou-se por trás do muro da cidade até a igreja e comeu metade do potinho de gordura.

— Nada tem gosto melhor — disse ele — do que aquilo que se come por conta própria.

E ficou bastante satisfeito com o trabalho daquele dia.

Quando chegou em casa, o rato perguntou:

— E como foi batizada essa criança?

— Meio-fora — respondeu o gato.

— Meio-fora! Que estás dizendo? Nunca em minha vida ouvi esse nome. Aposto que ele não está no calendário.

Logo a boca do gato tornou a se encher d’água por causa da guloseima.

— Tudo o que é bom vem em três — disse ele ao rato. — Devo ser padrinho outra vez. A criança é toda preta e tem apenas as patinhas brancas; fora isso, não possui um único pelo branco no corpo. Uma coisa dessas só acontece de muitos em muitos anos. Tu me deixarás sair, não é?

— Pele-fora, Meio-fora… — respondeu o rato. — São nomes estranhos. Fazem-me pensar.

— Aí ficas tu em casa, metido em teu casaquinho felpudo cinza-escuro e com tua longa trança de pelo — disse o gato —, criando pensamentos esquisitos. É isso que acontece quando não se sai durante o dia.

Enquanto o gato esteve ausente, o rato arrumou tudo e pôs a casa em ordem.

O gato guloso, porém, comeu o potinho de gordura até o fim.

— Quando tudo está consumido, então se tem sossego — disse ele consigo mesmo.

E só voltou para casa já noite alta, cheio e pesado.

O rato perguntou imediatamente que nome recebera a terceira criança.

— Este também não te agradará — disse o gato. — Chama-se Tudo-fora.

— Tudo-fora! — exclamou o rato. — Esse é o nome mais suspeito de todos. Nunca o vi impresso em lugar algum. Tudo-fora! Que há de significar isso?

Sacudiu a cabeça, enrolou-se todo e foi dormir.

Daí em diante, ninguém mais quis chamar o gato para ser padrinho.

Mas, quando chegou o inverno e lá fora já não se encontrava coisa alguma, o rato lembrou-se de sua provisão e disse:

— Vamos, gato, vamos até o nosso potinho de gordura, aquele que guardamos para nós. Ele há de nos saber muito bem.

— Certamente — respondeu o gato. — Há de te saber tão bem quanto se pusesses tua linguinha fina para fora da janela.

Puseram-se a caminho.

Quando chegaram, o potinho de gordura ainda estava em seu lugar, mas estava vazio.

— Ah! — disse o rato. — Agora vejo o que aconteceu. Agora tudo vem à luz. Tu és mesmo uma verdadeira amiga! Comeste tudo enquanto dizias que ias servir de padrinho: primeiro Pele-fora, depois Meio-fora, depois…

— Vais ficar calado? — gritou o gato. — Mais uma palavra, e eu te devoro!

— Tudo-fora — já estava na língua do pobre rato.

Mal a palavra lhe escapou, o gato saltou sobre ele, agarrou-o e o engoliu.

Vês? É assim que as coisas acontecem no mundo.

Perguntas Frequentes

Qual é a moral da história do gato e do rato?
A moral é que a ganância pode destruir amizades e que a confiança é fundamental em qualquer relação.
Quem traiu quem na história?
O gato traiu a confiança do rato ao mentir e se aproveitar da situação para comer a gordura.
O que o gato fez para enganar o rato?
O gato inventou histórias sobre ser padrinho e saiu para comer a gordura, deixando o rato sozinho.
FAQ gerado automaticamente por inteligência artificial. Verifique os detalhes na matéria.

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